Diversidade & Comunicação

Neste Post você verá: (não necessariamente nessa ordem)

Uma história: Do diretor preconceituoso era o líder do grupo de inclusão e diversidade.

Outra história: Do líder que desperdiçou milhares de reais com apenas uma frase.

E um estudo: A diversidade no contexto das empresas brasileiras.

É incrível como entre discurso e ação ainda existe uma distância imensa a ser percorrida pela comunicação organizacional.

Acabo de receber da Tatiana Capellano um material espetacular sobre como a diversidade é tratada dentro das organizações.

Depois de uma vasta pesquisa e diversas entrevistas, o pessoal da 4co.com.br consolidou os achados no estudo “Diversidade no contexto das empresas Brasileiras”.

O que mais me chamou a atenção foram os testemunhos sobre o papel fundamental que as lideranças exercem nesse assunto para o bem ou para o mal.

Em diversas partes do estudo é mostrado como o posicionamento e expressão da diversidade por parte dos líderes impacta no ambiente organizacional bem como na percepção de valor de uma empresa por seus colaboradores e outros públicos de interesse.

Realmente um estudo amplo, abrangente e com conclusões que farão alguns torcer o nariz e outros torcerem para que essa realidade mude. E logo.

E isso nos traz para as duas histórias que vivi num passado recente:

Na época em que eu trabalhava no Grupo Abril e visitava as empresas do guia das 150 melhores para se trabalhar exame/você s.a. visitei uma empresa e uma das pautas era sobre como eles lidavam com os assuntos de diversidade e inclusão.

Conversei com líder do grupo de discussão de melhores práticas de inclusão dentro da organização. Entrevistei-o, ouvi todas as benesses de se ter um grupo desses internamente e quais iniciativas eram tomadas a partir daí.

É fundamental para que uma iniciativa como essa reverbere dentro da empresa que o grupo tenha o patrocínio (leia-se apoio institucional) de um grande líder e, nesse caso, meu entrevistado era um dos diretores da empresa.

O que me surpreendeu foi assim que acabou a entrevista um colaborador participante do grupo me chama de lado e conta outra história: Na verdade o diretor em questão era um notório homofóbico e a criação do grupo e sua consequente nomeação para líder do grupo foi uma espécie de “castigo” por suas atitudes e comentários.

O colaborador me confidenciou que era muito difícil manter um dialogo realmente aberto e construtivo quando aquele que deveria ser o incentivador e multiplicador da ideia para outras lideranças não comprava, ele mesmo, a ideia que deveria vender.

Fiquei na dúvida de como abordar isso na matéria. Me limitei a descrever a iniciativa e pontuar que era muito importante empresas seguirem este caminho para pelo menos colocar o assunto de maneira estruturada dentro das organizações.

Mas intimamente fiquei com a sensação de que se a empresa, ao pensar em como mudar a atitude desse diretor, tivesse colocado-o como um dos integrantes, e não como líder do grupo, tudo poderia ser diferente e mais efetivo.

 

Em outra ocasião…

Essa é uma história que normalmente conto em minhas palestras para ilustrar o conceito de discurso e ação e mostrar o peso que cada discurso divergente tem na comunicação organizacional.

Fui chamado para fazer uma consultoria em uma empresa que estava no início do processo de inclusão de PCDs em seus quadros de maneira mais estruturada.

Era visível o empenho da empresa nessa questão. Cartazes espalhados por todos os andares e vias de acesso. Envelopamento nos elevadores (o centímetro quadrado mais disputado em termos de comunicação corporativa), mensagens de email, murais, peças adicionais, buttons, vídeos explicativos nas telas da TV corporativa, emails, etc et al.

Não mediram esforços e nem verba para engajar as pessoas na nova realidade. (foram gastos mais de uma centena de milhares de reais na campanha interna)

Entretanto o pessoal de comunicação veio me dizer que a adesão estava muito baixa ou pouco significativa e que não sabiam porque isso acontecia uma vez que os recursos eram abundantes, a mensagem clara e a necessidade vital.

Numa olhada geral da campanha realmente estava tudo dentro dos conformes. Peças alinhadas, bem produzidas, complementares e com alto teor de esclarecimentos. Eu diria impecável. Uma campanha digna de ser tida como benchmark para outras empresas.

Fiquei na dúvida e decidi acompanhar o pessoal de RH a uma visita em uma das áreas que receberia um colaborador do programa de inclusão da diversidade. Chegando lá fomos recebidos pelo gestor da área que muito solícito ouviu todas as informações e procedimentos referentes ao novo colaborardor e , ao final da explanação ele se vira para seus liderados e solta um sonoro: “pessoal! Semana que vem a gente recebe nosso aleijadinho!” seguido de uma gargalhada.

Na equipe as reações eram diversas. Uns riram junto, outros riram por compaixão e mais alguns riram de nervoso. E foi ali, naquele exato momento que todo o investimento de milhares de reais em uma campanha de conscientização foi pelo ralo.

Qual o discurso que será acreditado no final das contas? O da área de comunicação com seus slogans, belas imagens e peças publicitárias mostrando como a empresa vai se posicionar a partir dali ou uma única frase dita pelo líder em alto e bom som para toda equipe?

Cultura é o que acontece nos corredores da empresa e não o que está pendurado em suas paredes

Em uma única frase um líder conseguiu derrubar todo o esforço (financeiro e conceitual) de uma empresa em um assunto tão importante e vital nos dias de hoje.

Diagnóstico: a empresa devia ter investido um pouco na comunicação da liderança e como eles seriam não apenas facilitadores mas apoiadores convictos da ideia.

Se a ação não segue o discurso as pessoas sempre se guiarão pelo que é feito em detrimento do que é falado.

Comunicação Corporativa sem levar em consideração o impacto das pessoas será sempre um desperdício ou, quando muito, apenas alegoria pra jornalista ver.

E você? Já viveu ou passou por uma situação em que o discurso da empresa estava totalmente desalinhado com as práticas das lideranças?

Me conta nos comentários e ajuda a botar lenha nessa fogueira!

 

Para ver o estudo citado no início do artigo acesse www.4co.com.br/diversidade (ou conecte-se com a Tatiana Capellano e/ou o Bruno Carramenha no linkedin!)

 


marciomussarela
marciomussarela

Márcio Mussarela é um comunicador corporativo que auxilia as pessoas a atingirem seus objetivos através da comunicação de alta performance. Seu objetivo é claro e preciso: Prover as pessoas de conhecimento, habilidades e inspiração para alcançar seu mais alto potencial. Curioso por natureza, comunicador por profissão e cozinheiro nas horas vagas. Idealista Nato.

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